Capítulo 04 – O ombro
de Athos, o boldrié de Porthos e o lenço de Aramis.
“------ Decididamente, não vejo como escapar, mas, pelo menos, se eu morrer, será pelas mãos de um mosqueteiro.” (Palavra final de D’Artagnan sobre os acontecimentos deste capítulo; página 68 – Os três mosqueteiros).
D’Artagnan avistou seu arqui-inimigo da janela de Tréville e saiu como um foguete em busca de vingança, descendo as escadarias do palácio. Porém, como estava esbaforido, esbarrou no ombro machucado do mosqueteiro Athos, que não deixou barato:
“(...)
------- Senhor apressadinho, o senhor me encontrará sem correrias, compreende?
--------- E onde isso, por favor?
--------- Perto dos Carmelitas Descalços.
--------- A que horas?
--------- Por volta do meio-dia.
----------Por volta do meio-dia, está bem, lá estarei.
(...) ”
(Trecho do diálogo entre Athos e D’Artagnan; página 62 – Os três mosqueteiros)
Ainda com muita pressa, pois não podia perder o tal fidalgo que havia lhe roubado de vista, avistou em seu caminho um grupo de mosqueteiros e reconheceu um deles: era Porthos. Achou que poderia passar correndo por entre eles, mas acabou se emaranhando no Boldrié luxuoso de Porthos, arrumando outra encrenca:
“... Porthos espumou de raiva e fez um movimento para se precipitar sobre d’Artagnan.
----- Mais tarde, mais tarde --- gritou-lhe este ---, quando o senhor tirar o sobretudo.
----- À uma hora então, atrás do Luxemburgo.
------ Perfeito, à uma hora ----- respondeu d’Artagnan, dobrando a esquina da rua.”
(Trecho do diálogo entre Porthos e D’Artagnan; página 63 – Os três mosqueteiros)
D’Artagnan parou para analisar a sua situação: no início da manhã ganhara antipatia do Sr. de Tréville e, agora, havia marcado dois duelos com dois dos melhores mosqueteiros do rei. Estava fadado a morte, com toda certeza, não é mesmo?
“----- Que desmiolado eu fui, e que grosseirão! Esse honesto e desventurado Athos, ferido justamente no ombro contra o qual eu lhe dei uma cabeçada como um touro. Só me admira ele não ter me matado na hora. Teria esse direito, e a dor que lhe causei deve ter sido atroz. Quanto a Porthos, ah, a Porthos, tenho que admitir, esse é mais engraçado.” (Trecho do monólogo de D’Artagnan sobre os acontecimentos daquela manhã até o momento anterior; página 64 – os três mosqueteiros)
Ainda pensando com os seus botões sobre o ocorrido (trecho acima), chega a uma conclusão sobre seu comportamento: deveria ser cauteloso e educado, como Aramis era. Avistando Aramis em uma roda de mosqueteiros, resolve se aproximar meio sem jeito para tentar fazer amizade. Mas, esse rapazote do interior acaba cometendo uma gafe tremenda com Aramis e adivinhem:
“------- A prudência, cavalheiro, é uma virtude nem inútil aos mosqueteiros, sei disso, mas indispensável às pessoas da Igreja. Como sou mosqueteiro apenas provisoriamente, insisto em permanecer prudente. Às duas horas, terei a honra de espera-lo no palácio do sr. de Tréville. Lá indicarei-lhe um local apropriado.” (Trecho do diálogo entre Aramis e D’Artagnan; página 68 – Os três mosqueteiros)
Saldo: Três duelos com os três melhores mosqueteiros do rei.
E agora? Será que o sonho de se tornar mosqueteiro se perde?
Será que D’Artagnan irá sobreviver? Será o fim da jornada do nosso herói?

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