Capítulo 03 – A Audiência

“... porém, aproximando-se quase ao mesmo tempo da antecâmara e fazendo a d’Artagnan um sinal com a mão, como que pedindo permissão para terminar com os outros antes de começar com ele, chamou três vezes, engrossando a voz a cada uma delas, de maneira que percorreu todos os intervalos entre a ênfase imperativa e a injunção irritada:

 ---- Athos! Porthos! Aramis!

Tréville expõe o desejo do rei em buscar outros mosqueteiros devido ao ocorrido exposto pelo Sr. Cardeal.

(...) quando finalmente o sr. Tréville percorreu três ou quatro vezes, silencioso e com o cenho franzido, todo o comprimento de seu gabinete, passando a cada vez diante de Porthos e Aramis, ambos imóveis e mudos como em uma revista das tropas, o capitão se deteve subitamente diante deles e, cobrindo-os dos pés à cabeça com um olhar irritado, explodiu:

------ Sabem o que me disse o rei, ainda ontem à noite? Sabem cavalheiros? ” (Trecho da conversa entre Tréville e os mosqueteiros Aramis e Porthos; página 51-52 – Os três mosqueteiros)

Alguns mosqueteiros foram encontrados fazendo arruaça em um prostíbulo e, pelo relado do Cardial, foram presos de “livre e espontânea vontade”.

Entenda, leitores, haverá uma rica eterna entre os dois lados: mosqueteiros do rei e a guarda do Cardial, mas é dito mais do que vergonhoso não lutar, ou seja, não se defender a sua honra.

Porthos e Aramis- Athos não pôde comparecer até o momento- resolvem contar a verdade: houve uma emboscada feita pelos guardas do Cardeal e Athos havia sido gravemente ferido.

Tréville percebeu o exagero do Sr. Cardeal e, ao mesmo tempo, Athos entra em seu gabinete:

“E, a essas palavras, o mosqueteiro, em uniforme impecável, cintado como de costume, entrou com um passo firme no gabinete.” (Trecho da descrição do Athos ao adentrar na antecâmara)

Entretanto, mais pálido que o normal devido ao ferimento. O comandante dos mosqueteiros reconheceu a bravura de seus soldados, mas os proíbe de se exporem sem necessidade pelas ruas. Athos, bastante ferido, desmaia e é levado a uma antecâmara por seus companheiros e um médico é solicitado.

Passado o ocorrido, Tréville quase se esquece que seu conterrâneo, D’Artagnan, o aguardava. Conversa vai; conversa vem e, além dos incontáveis elogios feitos por D’Artagnan, o mesmo  resolve relatar o que aconteceu em Meung com a carta que era de seu pai a Tréville que fora roubada por um fidalgo.

Uma pulga se instala atrás da orelha do Comandante e o deixa ressabiado:

“A lisonja estava muito na moda na época, e o sr. de Tréville amava o incenso tanto quanto um rei ou um cardeal. Não pôde então abster-se de sorrir com visível satisfação, mas esse sorriso logo se extinguiu. Voltando novamente à aventura de Meung, ele perguntou:

------ Diga-me, esse fidalgo não tinha uma ligeira cicatriz numa das têmporas?”

(trecho da reação de Tréville ao relato de D’Artagnan; página 57 – os três mosqueteiros)

Isso fez com que Tréville mudasse o seu comportamento, até então amigável, com D’Artagnan, mas não deixou  de escrever a carta de recomendação para que ele pudesse iniciar os seus trabalhos como aspirante a mosqueteiro.

O nosso herói se pôs a olhar pela janela enquanto esperava a carta de recomendação de Tréville. Eis que de longe reconhece o seu ladrão e a euforia o invade quase se esquecendo de sua carta:

“...o Sr. Tréville ficou perplexo de ver seu protegido ter um sobressalto, afoguear-se de raiva e lançar-separa fora do gabinete, gritando:

------ Juro por Deus, dessa vez ele não me escapa!”

(Trecho final do capítulo; página 60 – os três mosqueteiros)

Será que finalmente o pobre gasgão irá conseguir se vingar do fidalgo?

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