Capítulo 02 – A antecâmara do sr.Tréville

“Muitos podiam adotar como divisa o epíteto forte, que formava a segunda parte de seu mote, mas poucos fidalgos podiam reclamar o epíteto fiel, que formava a primeira. Tréville era um destes últimos, uma dessas raras combinações de inteligência obediente, como a do cão dinamarquês, cega por natureza, olho rápido e mão ágil, a quem o olho não fora concedido senão por ver se o rei estava descontente com alguém, e a mão, senão para golpear esse pertinente(...)logo o rei nomeou Tréville capitão de seus mosqueteiros, que eram para Luís XIII, pela dedicação, ou antes pelo fanatismo, o que os ordinários eram para Henrique III e o que a guarda escocesa era para Luís XI.” (Trecho da descrição da história deTréville; página 41 – Os três mosqueteiros)

Bem se vê que o apreço do Rei por Tréville o recompensou ao longo de seu serviço com o cargo de capitão dos mosqueteiros, àqueles que eram escolhidos a dedos para servir a Vossa Majestade, o Rei. Porém, a França era governada por duas potências rivais: O rei e o Cardeal e, para não ficar para trás, Sua Eminencia também contratou soldados muito bem qualificados adentrar a guarda do Cardeal.

No Palácio da rua Vieux-Colombier, também conhecido como Palácio dos mosqueteiros, possuía uma antecâmara para receber os eleitos à mosqueteiros e aguardar as ordens vindas diretamente do Rei. Então, o nosso herói gasgão, D’Artagnan, com o coração palpitando, passou pela balbúrdia feita pelos mosqueteiros dentro do palácio, subiu as escadas ainda espantado com todo o movimento e chegou ao andar de cima.

Lá havia alguns mosqueteiros conversando sobre mulheres e histórias que envolviam o Cardeal e o Rei. E, antes de ser chamado ao gabinete de Tréville para a sua audiência com o mesmo, no centro do grupo que estava papeando, estava uma figura que chamou a atenção de D’Artagnan:

“...um mosqueteiro de grande estatura, com semblante altivo e uma roupa bizarra, que atraía a atenção geral para sua pessoa. (...) sobre esse traje um boldrié magnífico, bordado com fios de ouro, e que reluzia como as escamas que cobrem água quando o sol está a pino.” (Trecho da descrição do mosqueteiro Porthos; página 46 – Os três mosqueteiros)

Esse seria, então, um dos mais famosos mosqueteiros da França: Porthos, que ao exibir-se demais, acaba sendo questionado por seus colegas sobre a procedência daquele luxuoso boldrié. Pediu para o fiel amigo, que também é um dos famosos mosqueteiros, que lhe confirmasse a sua história:

“Esse outro mosqueteiro formava um contraste perfeito com aquele que o interrogava e que acabava de chama-lo de Aramis. Era um jovem de vinte dois, vinte três anos no máximo., fisionomia ingênua e melosa, olhos negros e meigos, faces cor-de-rosa e aveludadas como um pêssego no outono...” (Trecho da descrição do mosqueteiro Aramis; página 47 –ostrês mosqueteiros)

Ao tomar outro rumo, a conversa entre o grupo se torna intensa ao levantarem a questão sobre a moral da Rainha da França, causando uma tensão entre os, então, amigos Porthos e Aramis.

Será que haverá um duelo entre os dois mosqueteiros mais famosos da França e admirados por todo os colegas de farda?

E D’Artagnan, conseguirá ter a sua tão sonhada audiência com o sr. Tréville ou terá que se meter em uma briga da guarda a qual quer fazer parte?

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